sexta-feira, 30 de março de 2012

Meu exemplo de honestidade


Sabe aquela pessoa que passa tanto tempo ao seu lado e que depois de anos você olha para ela e passa a ter uma grande admiração e reconhece que ela é seu verdadeiro exemplo de dignidade? Pois é, achei meu exemplo: Djalma Pereira Fernandes, mais conhecido como Louro, ou simplesmente meu pai.
Percebi isso de uns tempos para cá. Vamos entender o porquê disso. Lembro de muitas coisas da minha infância, pessoas, peraltices, brincadeiras. E uma das coisas que recordo era a rigidez do meu pai, a seriedade. Quando criança não lembro dele ter falado alguma vez que me amava, era sempre muito duro. Por ser levada, apanhei muito, de cinto, de mão, de sandália, ele fazia praticamente 360 graus na minha orelha, mas eu merecia, fugia para jogar vídeo game de tão danada, mas essa parte da minha vida terá texto próprio.
Meu pai nunca deixou faltar nada, sempre na “medida do possível” dava o que pedíamos, viajávamos. Até que um dia veio a separação de papai e mamãe. Particularmente isso não me abalou, agora eu tinha duas casas: era um tempo na casa da mamãe e um tempo na casa do papai, mas assim ele continuava com sua armadura de ferro sem que ninguém conseguisse quebrar a barreira daquele coração que até então eu não conhecia. O tempo foi passando e aos poucos eu conseguia descascar aquela couraça. Muitas coisas aconteceram com ele, assalto, tiros, traumatismos, doenças e aos poucos aquela outrora blindagem se transformava em um poço sem fim de ternura.
Casei e pensei que aquilo fosse nos manter mais separados. Meus pensamentos eram em vão. E sinceramente? Graças a Deus que foram em vão, como eu quis, como desejei que fossem todos em vão. E foram!Apesar da dureza, meu pai sempre me passou e mostrou um verdadeiro exemplo de honestidade, simplicidade, dignidade. E assim eu ia quebrando devagarinho a barreira que nos separava.
O tempo nos reserva tantas coisas boas...
Percebi que aos poucos meu pai me olhava diferente e pude perceber isso ainda mais forte depois que casei. O olhar daquele pai estava mudando, os abraços demoravam mais, os pedidos para ficar mais um pouco em cada visita que lhe fazia me surpreendiam a cada dia. Os “eu te amos” e os “vá com Deus” timidamente foram surgindo em meio a uma voz ainda embargada, mas que no fundo sabia o que estavam fazendo. Tenho tanto para contar desse homem, do meu exemplo. Ele já passou por tantas...
Foi aí que a maior das surpresas enfim me aconteceu. Confesso que ao escrever isso, exatamente nesse trecho, as lágrimas inundam as teclas do meu computador e banham meu rosto dessa emoção que para muitos parece tão pouco, simples, mas que foi tão forte para mim, me vi no céu, contemplando e sentindo o verdadeiro amor de pai para filha. Meu Deus, como fui feliz naquele dia. Depois de 25 anos, exatamente no dia 24 de dezembro de 2010, na virada de natal, visitei meu pai, vi aquele homem baixinho em seu comércio me recebendo de braços e dizendo chorando que me amava. “Eu te amo tanto, minha filha. Só Deus sabe. Quero ver seu bem, torço pela sua felicidade, peço que Deus a abençoe”. Gente, vi naquele momento o meu pai de verdade, que conheci depois de 25 anos. Descobri um pai que estava dormindo, um pai amoroso, um pai leal, um pai amigo, um pai que me fez a filha mais feliz do mundo naquele natal de 2010. A cada olhar, a cada beijo, a cada “minha filha eu te amo”, a cada “Deus te abençoe” eu via um pai de verdade, meu exemplo de dignidade, de humildade, de sinceridade. Uma pessoa que sempre foi muito correta em todos os seus negócios, que sempre nos mostrou o caminho mais adequado.
A partir dali a relação virou amizade, lealdade. As conversas que quando criança não tínhamos, passamos a ter, as brincadeiras, os segredos de ESTADO que ele me conta é exemplo de que tenho um pai, um amigo, um herói.
Hoje, ele é tudo para mim. Hoje saio da casa dele com um “eu te amo” na bolsa, com um “Deus te faça feliz” na carteira, com um “venha mais vezes aqui, sumida”, um “por que não me ligou?”, um “vamos pegar um banho”, um “domingo o churrasco em casa é por minha conta”.
Tenho hoje o melhor pai do mundo, um pai que se preocupa comigo, que pergunta se já me alimentei, se estou bem, se estou precisando de algo. Tenho um pai que acima de todas essas coisas que falei e o melhor de tudo que citei: me ama e eu sei porque ele faz questão de demonstrar e me dizer. “MINHA FILHA, MINHA JORNALISTA, EU TE AMO”.
Eu também te amo, meu grande pai, meu herói.